A mielomeningocele é um dos defeitos congênitos do fechamento do tubo neural em que as meninges, a medula espinhal e as raízes nervosas ficam expostas, o que ocasiona perdas motoras e sensitivas nos membros inferiores. O fechamento do defeito pode ser feito ainda antes do nascimento (cirurgia intra-uterina) ou logo após.
Dependendo da altura da coluna vertebral em que ocorreu o defeito de fechamento na vida intra-uterina, existem características específicas.
O quadro clínico e funcional varia e depende principalmente do nível neurológico da lesão, mas também da presença deformidades de coluna vertebral e membros inferiores, complicações neurológicas (como hidromielia, medula presa, malformação de Arnold-Chiari), obesidade, motivação, entre outros. Casos mais graves podem ter grandes dificuldades motoras enquanto os mais leves podem ter poucas limitações.
O fechamento intrauterino está associado a melhores resultados motores e menor necessidade de válvula de derivação. Quando realizado após o nascimento, deve ocorrer nas primeiras 24–48 horas de vida.
A reabilitação é essencial e deve ser contínua e personalizada. A fisioterapia fortalece a musculatura, previne deformidades e, quando indicado, treina a marcha com órteses. A terapia ocupacional atua no desenvolvimento da coordenação motora fina e na autonomia nas atividades diárias.
As órteses são adaptadas ao nível funcional de cada criança e visam estabilizar articulações com déficit de força. As mais comuns são AFOs (tornozelo/pé) e HKAFOs (quadril a pé).
Incluem o manejo de hidrocefalia, hidromielia, síndrome de Arnold-Chiari e da medula presa — esta última ocorre m 30% dos pacientes e resulta do estiramento da medula espinhal, podendo causar perda de força, piora da marcha, espasticidade, dor lombar, escoliose progressiva e infecções
urinárias. Embora sinais de medula presa estejam frequentemente presentes em exame de ressonância
magnética, o diagnóstico e a indicação de cirurgia são essencialmente clínicos.
São indicadas para corrigir deformidades nos pés, joelhos e
musculatura, favorecendo o uso de órteses e a mobilidade
funcional. A análise tridimensional da marcha pode orientar
intervenções em pacientes com potencial de deambulação.
Disfunções urológicas e intestinais são frequentes. O
tratamento visa prevenir infecções, proteger a função renal e melhorar a qualidade de vida — muitas vezes com apoio cirúrgico.
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